Depoimentos sobre Pe. Rodolfo Komórek

Depoimento de Dom Hilário Moser, sdb, Bispo Emérito de Tubarão - SC, na introdução da reedição da Biografia do Venerável Pe. Rodolfo Komórek, sdb*
 

O VENERÁVEL PADRE RODOLFO KOMOREK, SDB,

“FEITO TUDO PARA TODOS”



Talvez seja esta a expressão que melhor diz quem foi o Padre Rodolfo. Neste sentido, proponho aos leitores a “introdução” da biografia do Padre Rodolfo, escrita há anos pelo Pe. Fausto Santa Catarina, SDB, e publicada em nova veste tipográfica recentemente. Essa introdução sintetiza muito bem como de fato o Padre Rodolfo foi um padre “feito tudo para todos”. Assim escreveu o P. Fausto:



A frieza dos dados cronológicos dos 59 anos de existência do Venerável Pe. Rodolfo Komorek (25 deles passados no Brasil) parecem revestir-se de vida quando descobrimos como ele os viveu. Uma vida de fé profunda e transparente, iluminada pela esperança que aguarda e aquecida pela caridade que devora. Anos realmente ricos, nos quais cada minuto, cada instante se impregna de sobrenatural, fartamente partilhado com o próximo, na generosa disponibilidade do seu apostolado. Porque, homem de Deus, o Pe. Rodolfo era de fato "tudo para todos". Impossível a um espírito superficial, alienado da intimidade com o alto, viver como ele viveu, fazer o que ele fez, rezar como ele rezou, doar-se como ele se doou. Foi um daqueles homens que Deus envia providencialmente, na hora exata, para manifestarem já aqui neste mundo a presença dos bens celestes. Homem de Deus, apóstolo dos pobres e humildes, humilde também ele, penitente austero, casto, obediente e pobre, viveu, em amorosa união com Deus, o seu sacerdócio e a sua consagração religiosa, com impressionante precisão.

Em espírito de fé e de amor para com a vontade de Deus, viveu a virtude e o voto de obediência, a exemplo de Cristo, obediente até à morte. Fiel ao chamado divino, dedicou-se de corpo e alma à obra do Evangelho, renunciando a si mesmo, enriquecendo dia a dia a própria personalidade no exato cumprimento da vontade de Deus.

Porque muito amou, foi casto. Sua castidade foi, por sua vez, sinal e estímulo da sua caridade, fonte da sua fecundidade espiritual. Coração livre, inflamou-se mais ardentemente na caridade de Deus e do homem todo. Inapontável, irradiava pureza de alma e de corpo, transfundindo paz, serenidade, alegria nos que desfrutavam os benefícios da sua presença sacerdotal.

Inteiramente despojado de tudo, abraçou a pobreza da maneira mais coerente possível, legando-nos um exemplo de humanidade e abnegação. A exemplo de Cristo, evangelizou os pobres, sanou os contritos de coração. Não conseguia entender a dedicação ao próximo sem a prática de uma pobreza radical, incondicional. No espírito da Igreja que se quer pobre, consagrando a eles, ainda que não de forma exclusiva, o melhor de suas atenções, o Pe. Rodolfo foi pobre "dos pés à cabeça", pobre "de fato e de espírito". Amou os pobres, os "prediletos de Deus", como os chamou o Beato João Paulo II, assumindo um compromisso do qual não podia se furtar. Sua vida simples, sóbria, austera, fala eloquentemente ao mundo de hoje, como um testemunho extremamente válido, uma mensagem da maior atualidade.

Tudo isso se depreende dos numerosos depoimentos do seu Processo de Beatificação, que impressionam pela total convergência na convicção de que o Pe. Rodolfo era deveras um santo. Na Polônia como no Brasil, na juventude como na maturidade. Sempre e em toda a parte, o sacerdote e o religioso exemplar, a arrastar os outros para Deus com o fascínio do seu exemplo. Não são de estranhar as aproximações que dele se fizeram com S. Francisco de Assis, S. Pedro de Alcântara, S. Luís Gonzaga... Disso nos convencemos à proporção que lhe percorremos a biografia: então a admiração se faz maravilha e cresce a evidência de que sobravam razões ao povo de todas as classes quando o denominava o “padre santo”.




*DOM HILÁRIO MOSER, SDB -Bispo Emérito de Tubarão/SC Vice-Postulador da Causa de Beatificação do Padre Rodolfo.  
(Rio dos Cedros, 2 de dezembro de 1931).A ordenação presbiteral ocorreu em 15 de agosto de 1958, em São Paulo. Eleito bispo em 17 de agosto de 1988, recebeu a ordenação episcopal no dia 20 de novembro de 1988, em São Paulo, das mãos do Cardeal Dom Carlo Furno, sendo concelebrante Dom José Cardoso Sobrinho e Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida.

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Depoimento de Dom Nelson Westrupp, SCJ, Bispo de Santo André, quando Bispo de São José dos Campos, na exumação dos restos mortais do Venerável Pe. Rodolfo Komórek*

"Santos são os amigos de Deus, os que de tal modo se identificam com o Senhor único e absoluto de suas vidas, que deles se pode dizer, como se disse do próprio Cristo: "passou amando e fazendo o bem..."
Passou... sem fixar morada, numa busca incessante, embora silenciosa e envolta em simplicidade e humildade, numa busca inquieta de levar mais longe, sempre mais longe, o amor de Deus que lhes arde no coração, de deixar por onde passam a semente da vida, com pressa, antes que o tempo se acabe!...
Assim são os Santos de Deus. Homens e mulheres de fé inabalável, abandonados de corpo e alma aos desígnios do Alto, gasntando-se em zelo e determinação, no cumprimento de divina missão que lhes incumbe: pregar o amor e a misericórdia. Vivem de Cristo, com Cristo e em Cristo - fonte inesgotável de suas forças.
Assim são os Santos, os Amigos de Deus!
Assim foi também o Pe. Rodolfo Komórek.
Veio de longe, muitos anos antes, da sofrida, mas heroica Polônia, brço de gigantes de uma fé fortalecida no caminho do sofrimento.
Palmilhou os mais longinquos e difícies caminhos... Os penosos caminhos batidos de terra, na chuva ou no sol... o caminho doloroso da enfermidade, da pobreza, o caminho da cruz...
Sacerdote, filho fiel de Dom Bosco, seguiu as pegadas de seu Santo Fundador,  pregou o amor, mais ainda com a vida do que com as palavras. Levou o perdão e a reconciliação a um número incalculável de corações. Austero e mortificado consigo mesmo, manso e humilde, foi para com os irmãos, os pobres, os doentes, a mensagem viva da bondade e da ternura de Deus. Comunicou alegria e paz mesmo no sofrimento, através dos muitos sanatórios, pensões e tugúrios que diariamente, incansavelmente, percorria.
Do sopro benfazejo de sua passagem, São José dos Campos foi a privilegiada. São José dos Campos de Anchieta, de Madre Teresa, de tantas almas santas, que fecundaram seu solo com o húmus fertilizante das lágrimas e da dor, terreno propício, certamente, para a vida pujante que faz dessa cidade um lugar privilegiado, de onde se irradia para o mundo, ao lado das mais avançadas tecnologias, a força de uma vivência cristã consoladora e rica de esperança.
São José dos Campos que via a graça de acontecer por onde passava o Venerável Pe. Rodolfo, que via levantar-se das frias madrugadas, em busca das almas e, confundindo-se com as sombras da noite que fugia, aguardar de joelhos, humildemente, imerso em oração, que a porta do templo se abrisse para o encontro com a Eucaristia... Que recebeuo divino favor de guardarem seu seio os despojos mortais desse santo Missionário, quando o Senhor o veio buscar para a recompensa!...
Desde aquele dia, muitos anos se passaram. como se fosse ontem, sua lembrança permanece viva no coração do povo e seu nome continua a ser um recado do Céu, comunicando a paz, acendendo esperanças, revigorando a fé. Os corações o invocam, cheios de confiança, porque o sabem amigo de Deus.
E, com divina sabedoria, a Igreja escuta a voz de seu povo. Em Roma, no Vaticano, tramitao processo de Beatificação do Pe. Rodolfo Komórek, já declarado Venerável.
Quarenta e sete anos após sua morte (1996), seus restos mortais foram exumados, a fim de serem transladados do cemitério municipal para a "Casa das Reliquias". Uma cerimônia simples, em clima de oração, de cânticos e de muita oração. 
Não raras as vezes o Senhor permite, em momentos semelhantes, alguns sinais extraordinários, como pequenasmarcas do sobrenatural. Ao ser exumado Santo Antônio, o grande taumaturgo, sua língua, que tanto pregou o amor, que tanto fervor, atraía as almas para Deus, foi encontrada intacta, viva, e ainda hoje se encontra em relicário na cidade de Pádua, na Itália.
Fato semelhante aconteceu com o Venerável Pe. Rodolfo. Desse humilde missionário, caminheiro incansável sempre em busca de almas, foram encontrados incorruptos, avermelhados ainda, como se muito recentemente o tivesse colocado naquela terra úmida e fria, os ossosdos seus pés.
Um sinal do céu? Uma confirmação de que não foram vãs as longas caminhadasà procura das ovelhas do redil de Cristo?
Como Ministro, dispensador e guardados mistérios de Deus, aguardo com fidelidade o pronunciamento sábio e prudenteda Santa Sé.
Como Pastor Particular de São José dos Campos, louvo e bendigo em nome do Senhor que assim faz florescer em nossa terra almas tão santas, tão desprendidas de si em favor dos irmãos, como esse humilde Sacerdote Salesiano, semeadores da paz, da verdade, da justiça, construtoras de um reino que não tem fronteiras: o Reino do Amor misericordioso do bom Deus."

 * Dom José Nelson Westrupp, SCJ (Imaruí, 11 de setembro de 1939) é Bispo da diocese de Santo André. Aos 24 anos foi ordenado padre, em 28 de junho de 1964, na cidade de Brusque-SC. Em 11 de maio de 1991, foi nomeado bispo da Diocese de São José dos Campos, para suceder Dom Eusébio Oscar Scheid, SCJ, que foi nomeado bispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Foi sagrado bispo em 20 de julho de 1991, em São José dos Campos-SP, tendo como sagrante Dom Carlo Furno, então Núncio Apostólico no Brasil. Tomou posse como 2º bispo da Diocese de São José dos Campos no dia seguinte. Foi bispo desta diocese de 1991 a 2003. Foi Nomeado o 4º Bispo da Diocese de Santo André em 1 de outubro de 2003 e tomou posse no dia 29 de novembro de 2003.Dom Nelson é também o atual Presidente do Regional Sul 1 da CNBB. Tem como lema episcopal “Sem mim nada podeis.” (Jo 15, 5).




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Depoimento de Dom Eusébio Oscar Scheid, Cardeal emérito do Rio de Janeiro, quando bispo de São José dos Campos*

"...tinha eu certeza, como Bispo, que podia contar com o auxílio e a proteção daquele que todo o povo, ainda hoje chama "o Padre Santo" de São José dos Campos.
Fui diversas vezes, antes da minha ordenação episcopal, ajoelhar-me em sua sepultura. Nunca encontrei esse sepultura sem visitantes devotos e sem uma abundância de fllores e velas. Depois de Bispo, fui ainda mais frequentemente ajoelhar-me junto daquele túmulo onde jazia, - na minha convicção - o grande 'protetor' e 'inspirador' do meu pastoreio.
Recomendei a elel a Obra Diocesana das vocações sacerdotais e consagradas. Em menos de dez anos de episcopado, triplicou o clero e um grande número de jovens se fizeram religiosos. Sempre achei que devia isso aos olhares benignos do "Padre Santo" sobre São José dos Campos, onde ele tanto sofreu, rezou, passou o pior calvário e morreu.
Nos momentos fortes e decisivos, difícies e dolorosos da minha vida de Bispo, nunca deixei de recorrer ao meu amigo e confidente de bem junto a Deus!"




* Dom Eusébio Oscar Scheid, SCJ (Luzerna, 8 de dezembro de 1932), Cardeal-arcebispo emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Sua ordenação presbiteral foi em Roma, no dia 3 de julho de 1960.
Foi eleito bispo de São José dos Campos, dia 18 de fevereiro de 1981, pelo Papa João Paulo II. Sua ordenação episcopal foi em São José dos Campos, São Paulo, no dia 1 de maio de 1981, pelas mãos de Dom Carmine Rocco, núncio apostólico no Brasil, na época. Exerceu o múnus pastoral na Diocese de São José dos Campos no período de 1981 a 1991. Fundou o Instituto de Filosofia «Santa Teresinha», instalou também a residência teológica «Padre Rodolfo». No dia 23 de janeiro de 1991 foi nomeado Arcebispo de Florianópolis. Tomou posse da Arquidiocese no dia 16 de março do mesmo ano. Permaneceu na Arquidiocese de Florianópolis por dez anos, até sua nomeação como arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro dia 25 de julho de 2001. Tomou posse em 22 de setembro do mesmo ano. No consistório de 21 de outubro de 2003, presidido pelo papa João Paulo II, foi criado cardeal-presbítero, com o título da Basílica dos Santos Bonifácio e Aleixo. Participou do conclave de 2005 que elegeu o papa Bento XVI. Seu lema é "DEVS BONVS" (Deus é Bom)

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